Respondendo ao pedido de depoimento que me foi feito para o blog de uma das listas concorrentes à Comissão de Trabalhadores da ANA, e sem com isso me querer imiscuir no processo eleitoral em curso, mas antes realçar a importância das Comissões de Trabalhadores como órgão mais representativo e democrático dentro das empresas, entendo que devem todos os trabalhadores da ANA responder ao acto eleitoral participando.
É a participação que dá força à representação eleita, mais que votar na lista X ou Y o importante é o voto maciço, esse voto mostrará à Administração e ao Governo, a vontade dos Trabalhadores participarem no futuro da empresa.
As Comissões de Trabalhadores quando colocadas ao serviço dos Trabalhadores, são efectivamente o órgão mais democrático existente no interior das empresas, elas são eleitas pelo sistema proporcional, logo, têm sempre garantido na sua composição todas as tendências, pensamentos e ideias colocadas a votos.
Na sua composição final, existe o diálogo e o contraditório contra o pensamento único porque as Comissões de Trabalhadores são compostas por pessoas que todos os dias estão dentro das empresas, que sofrem as pressões dos chefes directos, que correm o risco do desemprego tal como todos os outros.
As Comissões de Trabalhadores são por isso os representantes dos trabalhadores que mais perto estão destes, que mais contactados são por estes, que mais contactos têm e ou devem ter com as Administrações até por força da Lei.
As Comissões de Trabalhadores, mais do que exercer o controlo de gestão previsto na Lei podem e devem dar antecipadamente opinião sobre os actos de gestão e tentar conduzi-los no interesse dos Trabalhadores e do País
Por isso, é importante que uma Comissão de Trabalhadores se bata contra as privatizações e que evite as praticas correntes de privatização do lucro e socialização dos prejuízos a que temos assistido ultimamente.
Os Trabalhadores tem que evitar que tudo o que dá lucro seja privatizado enquanto tudo o que dá prejuízo seja nacionalizado, veja o exemplo do BPN que tem várias empresas, algumas lucrativas, mas que ficaram fora da nacionalização.
Os trabalhadores da ANA combatem a privatização da sua empresa e com isso dão um forte contributo de solidariedade para com o País, pois sabem estar os lucros da mesma ao serviço de todos.
Este é um combate interessante e exige dos representantes dos trabalhadores muito mais competência que ideologia, por isso, devem juntar-se a todos aqueles que exigem das suas Comissões de Trabalhadores responsabilidade e competência nas respostas e nas ofensivas patronais.
Hoje não basta dizer que NÂO, para os Trabalhadores nos entenderem é preciso dizer Não…Porque temos alternativas credíveis e o que as torna credíveis é o estudá-las a nível mundial, o discuti-las com os Trabalhadores, o envolver os Trabalhadores desde a composição da resposta até à sua concretização.
António Chora
Coordenador da Comissão de Trabalhadores da
Volkswagen Autoeuropa
